quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

"O cigarro eletrônico é pouco conhecido no Brasil e ajuda a parar de fumar"– Matéria BrandPress

Por: Flávio Zarur Lucarelli

anywarestaritaTalvez, em grande parte pelo poderio das grandes empresas de cigarro, o e-cig é muito pouco divulgado no Brasil. Algumas reportagens já foram vistas em revistas de renome e jornais, porém longe do destaque dado em outros países, onde chegou a figurar como capa de diversas revistas.
A invenção do cigarro eletrônico é creditada à empresa de cigarros eletrônicos Ruyan, na figura de Hon Lik, que pretendia ajudar seu pai, em estágio terminal de câncer e a si próprio, fumante inveterado. A idéia foi registrada no ano de 2000 e a comercialização na China iniciada em 2004 e no resto do mundo em 2006. Antes disso, Herbert A. Gilbert, citava técnicas parecidas ao cigarro eletrônico, já em 1967, que nunca chegaram a ser comercializadas.
De forma simples, o e-cig é um vaporizador. Usando uma peça denominada atomizador, cuja bobina esquenta o líquido e permite vaporar. O líquido é composto de propileno glicol e glicídio vegetal, ambas substâncias consideradas seguras pelo órgão americano FDA, que regulamenta drogas nos EUA. O propileno glicol é visto em remédios, como comprimidos para dor de cabeça e até mesmo é usado por dentistas. O glicídio vegetal é um líquido mais viscoso, usado como laxante, visto em diversos produtos, como biscoitos de baixa gordura e até mesmo como um agente para tornar o licor mais grosso. A nicotina, por sua vez, está presente na maior parte dos líquidos em dosagens variadas, sendo que fumantes costumam procurar uma dosagem alta inicialmente e baixar gradualmente, com a opção de usarem líquidos sem nicotina. Vale ressaltar que diversos estudos indicam que a nicotina absorvida através dos cigarros eletrônicos é bem menor do que os cigarros tradicionais, alguns citam apenas cerca de 30% de absorção.ChangeYourStyle
O vapor exalado pelo ecig, segundo estudos (1) realizados na Universidade Clarkson (Nova Iorque) pela CHANGE, entidade que pesquisa ativamente a saúde ambiental, é inofensivo. Normalmente, outras pessoas admiram o dispositivo e não se incomodam em sentar-se ao lado de algúem que esteja vaporando. O vapor se desfaz em segundos e deixa pouco cheiro, diferentemente do cigarro analógico. Boa parte dos usuários evitam fumar em público, apesar de normalmente não ser proibido (por ser apenas vapor), muitas vezes devido ao preconceito que pode causar nas pessoas que desconhecem o produto, apesar da maioria dos que acabam de conhecer o produto simpatizarem com uma tecnologia que serve como alternativa mais saudável aos cigarros...
O que todos imaginam, o e-cig certamente deve fazer bem menos mal que as mais de 4.700 substâncias do que os adeptos do ecig chamam de analógicos (cigarro tradicionais), também carinhosamente apelidados de “os fedidos”, pelos ex-fumantes, agora adeptos do ecig. Todos sabem que as substâncias do cigarro analógico inclui arsênico (usado no veneno de rato), cádmio (metal pesado que pode ficar por 30 anos no organismo), acetato de chumbo (tinturas de cabelo), Fósforo p4 p6 (produtos de limpeza e raticidas), cianeto (carcinogênico, usado na 2a guerra mundial), monóxido de carbono (tóxico, mesmo gás que é emitido pelos automóveis emitido no ato da carburação, inexistente no caso do ecig) e muito mais...
O órgão americano FDA, tentou proibir os ecigs nos EUA em 2009, baseando-se em estudo (2) considerado por muitos infundado, pois citava que os líquidos (também chamados de e-juice) pesquisados continham, além do PV e PV, substâncias cancerígenas e tóxicas, como o dietilenoglicol (usado em anticongelantes) . O estudo, porém, apenas estudou alguns líquidos de determinadas empresas. Os estudos da FDA foram taxados, por algumas autoridades médicas, como sem embasamento técnico. As substâncias encontradas estavam em concentrações extremamente baixas e não foram encontradas no vapor.
Outros estudos (3), incluindo um realizado em 2010 por Michael Siegel, professor da Boston University School of Health, mostra o cigarro eletrônico como mais seguro que um cigarro normal. Um outro estudo (4) realizado por Murray Laugesen, da Health New Zealand, em 2008, patrocinado pela empresa de cigarros eletrônicos Ruyan, porem segundo Murray um estudo independente, mostra que a composição do líquido não  é maléfica a saúde.

Vídeos na Internet, mostram o pulmão de ex-fumantes, demonstrando melhorias significativas, além do depoimento de ex-fumantes em fóruns, que indicam melhorias na sua saúde.

A FDA foi processada pela empresa americana de ecig Smoking Anywhere (5) citada no polêmico estudo e hoje em dia, o ecig não é proibido nos EUA e nem sua comercialização. Nos EUA, é vendido como produto de tabaco e a principal preocupação do governo americano é que não fumantes passem a usar o e-cig, por isso, não pode ser vendido como sendo um método comprovado para parar de fumar.
Por outro lado, há estudos positivos, como um recentemente patrocinado por empresas de ecig e realizado na Universidade de Genova, demonstrando que o vapor do cigarro eletrônico não causava nenhum dano a terceiros, diferentemente do cigarro tradicional.
No Brasil, a comercialização (e não o uso) é proibida, como era de se esperar, com a Anvisa informando que se baseou no estudo da FDA. Usuários precisam recorrer a importar equipamento e líquidos, correndo o risco do produto ser apreendido, ou adquirir via Internet no Brasil, por preços mais altos.
DIY MASTERS2Alguns usuários se aventuram pelo mundo do DIY (Do it yourself, faça você mesmo), como Dario, ex-fumante há mais de 1 ano. Muitas vezes na tentativa de diminuir os custos com líquidos, adquirindo essências parecidas com aquelas usadas na confecção de bolos, aliadas ao PG/VG e nicotina. Dario mantém um blog onde avalia as novidades do mundo do e-cig e ensina receitas de como fazer seu próprio líquido e utilizar uma calculadora de e-cig, que ajuda a determinar a quantidade exata de cada líquido, incluindo nicotina, a se usar.
Apesar das dificuldades enfrentadas pelos usuários, a realidade é que o e-cig talvez seja o melhor método para parar de fumar. Uma breve pesquisa foi realizada em fórum brasileiro de e-cig, que já conta com mais de 3.000 membros. 29 usuários do fórum participaram. Veja os resultados:
- TODOS pararam de fumar cigarros comuns.
- O tempo médio que cada pessoa está sem fumar analógicos: 301 dias
- 19 pessoas, ou seja, 66%, pararam com os analógicos imediatamente ao começarem com os ecigs!
- O tempo médio que demorou para parar com os analógicos: 7,2 dias!
- 10 pessoas (34%) nunca haviam tentado parar de fumar antes. O restante, 66%, inclui pessoas que tentaram parar de tudo quanto é forma (destaque para goma de mascar de nicotina e patches) e inúmeras vezes, sem sucesso total, até virem para o mundo do ecig.
Um aspecto é fato. A incrível facilidade como usuários de cigarro conseguem largar o vício usando o e-cig, em comparação com a imensa dificuldade ao usarem outros métodos, incluindo remédios contra a depressão, como o Zyban, que muitas vezes causam até mesmo um efeito reverso (depressão).
Os usuários citam que claramente notam melhorias na saúde, o famoso “pigarro” deixa de existir, dentes mais brancos, o cheio desagradável dos cigarros que impreguina na roupa é eliminado, a fumaça que afeta terceiros deixa de ser um problema. Usuários citam maior disposição para os esportes, melhorias de situações como sinusite, pressão arterial, etc.
Claro, existe o lado difícil do e-cig. Alguns usuários não se adaptam a determinados líquidos e possuem efeitos como dores de cabeça ou lábios “rachados”. A maioria, entretanto, não desiste facilmente da nova empreitada.
Usuários trocam mensagens em fóruns, na tentativa de apoiar novos usuários e estampam, com orgulho, banners que demonstram há quanto tempo pararam de fumar, quantos cigarros deixaram de fumar e quanto chegaram a economizar. Usuários comemoram o feito e ficam contentes por terem uma alternativa realmente eficiente para ajudá-los a parar de fumar.
Artistas são vistos usando o cigarro eletrônico em talk shows e até mesmo filmes, aumentando o interesse. Um kit básico custa cerca de R$ 200,00 no Brasil e, alguns afirmam que o custo é menor que o do cigarro convencional, apesar de existir uma curva de aprendizado, na qual o usuário busca um líquido que lhe agrade, normalmente tentando chegar próximo ao gosto dos cigarros analógicos, além de experimentar com diversos dispositivos. É necessário força de vontade, pois com o ecig, diferentemente do cigarro “analógico”, pode acabar a bateria ou o atomizador desgastar e requerer substituição, por isso os usuários procuram estar bem equipados para evitar o sentimento de “fissura”, típico dos que tentam parar de fumar.
Por outro lado, há indícios de que grandes produtoras de cigarro já buscam alternativas e patentearam invenções similares ao ecig (como inaladores) para serem lançadas nos próximos anos, certamente devido à perda de fatia do mercado para o ecig.
Alguns usuários do fórum brasileiro, após alguns anos de ecig, pararam também de vaporar. Um grande aliado é a capacidade de utilizar líquidos sem nicotina ou com pouca nicotina, reduzindo assim, aos poucos, o uso dessa substância mortífera e altamente viciante.
Falta realizar ainda muitas pesquisas e somente com o tempo, veremos novas notícias realmente esclarecedoras a respeito do e-cig, mas sem dúvida, é uma realidade, muitas vezes escondida da população, por motivos óbvios.
Na sucinta pesquisa realizada no fórum brasileiro, ex-fumantes resumem bem seu sentimento com relação ao cigarro e ao e-cig. Veja dois desses depoimentos.
“Nunca tentei outros métodos para parar de fumar, somente quando fazia viagens longas me dispunha a usar o chicletes de nicotina – acalmava, mas enfim, nunca consegui.
Hoje ainda uso e.cig. com nitocina zero - vaporo e gosto muito do sabor. Acho bom informar que tenho 51 anos e a aproximadamente 3 não fumo mais analógicos e a aproximadamente 2 anos uso líquidos com nicotina zero. Vaporo quando bebo um vinho - sem angustia, sem traumas e com folego. O ecig me libertou depois de 30 anos de cigarros e cheiros inconvenientes.”– Lucymara, ex-fumante há quase 3 anos
“Entendo que não há estudos suficientes para comprovar a segurança dos e-cigs. Mas com certeza minha qualidade de vida mudou radicalmente após o uso (disposição física, hálito, cheiro de cigarro na roupa, no carro, minha esposa parou de reclamar! etc.)” – Alexandre, 33 anos de idade, ex-fumante há 14 meses

(1) http://tinyurl.com/8klnczv
(2) http://www.fda.gov/NewsEvents/Newsroom/PressAnnouncements/ucm173222.htm
(3) http://www.palgrave-journals.com/jphp/journal/v32/n1/abs/jphp201041a.html
(4) http://www.healthnz.co.nz/RuyanCartridgeReport30-Oct-08.pdf
(5) http://www.docstoc.com/docs/22640134/Smoking-Everywhere-Electronic-Cigarettes-Defeats-the-FDA

Fonte: http://www.brandpress.com.br/saude-e-hospitalar/17021-o-cigarro-eletronico-e-pouco-conhecido-no-brasil-e-ajuda-a-parar-de-fumar.html#ixzz2HaGMWgfQ

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